“Ela estava deitada de bruços, o rosto fortemente comprimido contra o travesseiro, que rodeara com os braços. Seu peito se rompia. Todo o corpo jovem estremecia, como que em convulsões. Os soluços comprimidos em seu peito faziam pressão, dilaceravam-na, e, de repente, rompiam para fora, com gritos e clamores. Então, apertava-se ainda mais fortemente contra o travesseiro: não queria que uma só alma viva soubesse ali das suas lágrimas e tormentos. Mordia o travesseiro; mordeu mesmo a mão até sangrar (vi isto mais tarde); ou, de dedos agarrados às tranças desfeitas, petrificava-se no esforço, contendo a respiração e apertando os dentes.” (DOSTOIÉVSKI, 2000, pág. 119)
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“E eis o que sucedeu: ofendida e esmagada por mim, Liza compreendera muito mais do que eu imaginara. Ela compreendera de tudo aquilo justamente o que a mulher sempre compreende em primeiro lugar, quando ama sinceramente, isto é, compreendera que eu mesmo era infeliz.” (DOSTOIÉVSKI, 200, pág. 139)
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“E estava tão aniquilada, a pobre; considerava-se infinitamente inferior a mim; como poderia, pois, ficar zangada, ofender-se? Súbito, pulou da cadeira num repente insopitável e, querendo atirar-se toda para mim, mas ainda tímida e não ousando sair do lugar, estendeu-me os braços… Nessa ponto, o meu coração também se confrangeu. E ela se lançou subitamente a mim, rodeou-me o pescoço com os braços e chorou. Eu também não resisti e chorei aos soluços, de modo como nunca ainda me acontecera…” (DOSTOIÉVSKI, 2000, pág. 140)
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Caderno de Dostoiévski (nota do 16.4.1864), trecho retirado do texto Notas do subterrâneo, de T. Todorov.
“Amar o homem como a si próprio é impossível, segundo o mandamento de Cristo. A lei da personalidade na terra prende, o eu impede… No entanto, após a aparição do Cristo como ideal do homem em carne, ficou claro como dia que o desenvolvimento superior e derradeiro da personalidade deve precisamente atingir esse grau (bem no fim do desenvolvimento, exatamente no ponto em que se atinge o término) em que o homem encontra, toma consciência e, com toda a força de sua natureza, se convence de que o uso superior que pode fazer de sua personalidade, da plenitude do desenvolvimento de seu eu, é, de certo modo, anular este eu, dá-lo inteiramente a todos e a cada um sem partilha e sem reserva. É a felicidade suprema.”
Depois da leitura vertiginosa do romance e de alguns críticos, esses trechos foram os que mais ecoaram.